sábado, 19 de junho de 2010

OS VINHOS ALEMÃES ESTÃO DE VOLTA

Para apreciar vinho alemão você não precisa mais falar alemão, basta ter noções da legislação vinícola daquele país que está evoluindo e se simplificando para melhor atender ao consumidor. A classificação tem base na qual cria compromisso entre o nível de qualidade e as condições climáticas, especialmente nas regiões mais afastadas do sul do país, que têm menos horas de sol e a uva com menos açúcar produz vinho com menos álcool.

A base fundamental da classificação está apoiada na densidade de açúcar no mosto. Por exemplo, densidade de mosto de 1.110 gramas por litro, corresponde a 110° Oechsle ou 110° Oe.

Pulando os dois níveis de vinhos mais simples, Tafelewin e Landwein, que não sofrem controles oficiais, os vinhos superiores formam dois grupos de Qualitätswein, legalmente atrelados a uma das 13 regiões de origem (Anbaugebiete) e que passam por análises de laboratório e avaliações sensoriais (degustação) para receber o APNr (número da prova) e a classificação legal que vai compor os dados do rótulo.


O nível que caracteriza os vinhos de qualidade compreende os Qualitätswein bestimmter Anbaugebiet – QbA, literalmente, vinhos de qualidade de uma determinada região oficializada pela legislação e à qual pertence a maioria dos vinhos alemães. A análise do mosto deve revelar um conteúdo de açúcar de 51 a 72° Oe, enquanto que a avaliação sensorial (degustação) deve revelar características típicas da região.

Em seguida, atingimos o mais alto nível alemão de qualidade, os Qualitätswein mit Prädikat – QmP, vinhos de qualidade com predicado especial, divididos em 6 predicados:

Kabinett – uvas colhidas na madurez normal, leves e secos. Uma transição dos QbA para os QmP. Açúcar de 67 a 85° Oe.

Spätlese – uvas colhidas de 7 a 10 dias após a colheita normal, delicados, boca adocicada e mais intensa. Açúcar de 76 a 95° Oe.

Auslese – uvas colhidas semanas mais tarde, com seleção de cachos, corpo médio, aromático e de paladar mais intenso. Açúcar de 83 a 105° Oe.

Beerenauslese (BA) – uvas muito maduras, botritizadas, colheita mais tardia ainda, em processo de desidratação na videira, colhidas baga a baga com seleção, encorpados, aromas intensos de frutas e flores, sutil toque mineral, boca doce e gorda. Açúcar de 110 a 128° Oe.

Eiswein – uvas congeladas, colhidas tardiamente em vinhedos a - 8° C, prensadas neste estado, muito açúcar e acidez residual concentrados, corpo médio, aromas intensos a frutas e mel, boca doce, gorda e oleosa. Predicado mínimo de Beerenauslese. Açúcar de 110 a 128° Oe.

Trockenbeerenauslese (TBA) – bagas secas desidratadas na videira, colheita tardia, com seleção individual de bagas, oleosos, aromas intensos de frutas maduras, boca muito doce, mélica, viscosa, com sabor de compota. Açúcar de 150 a 154° Oe.

Como na parte meridional da Alemanha, especialmente as regiões vinícolas de Württemberg e de Baden, o clima menos frio é muito mais favorável à vitivinicultura, os produtores de lá podem se dar ao luxo de incrementar a qualidade intrínseca de cada nível de vinho. Um vinho com açúcar para ser rotulado nos níveis iniciais do Qualitätswein mit Prädikat muitas vezes é engarrafado como um Qualitätswein bestimmter Anbaugebiet de excelente qualificação, superior mesmo a um Kabinett ou a um Spätlese.



Os vinhos tintos alemães encontram em Würtemberg e Baden um verdadeiro apogeu, Um tinto de cor mais delicada como o da variedade Trollinger, um intenso e de ataque de boca marcante como o da casta Lemberger, marcam terreno para o aveludado de Portugieser ou o encorpado Pino Noir (Spätburgunder).

Os vinhos brancos também encontram nessas duas regiões condições para gerar paladar mais intenso e marcante, suculento e de boca plena, quer um Riesling, quer um Müller-Thurgau, ou outras das brancas alemãs famosas.

Vale a pena voltar a atenção para a nova cara dos vinhos alemães que estão chegando ao Brasil! Mais detalhes nas próximas matérias ou com a representante do consórcio de vinhos alemães, Fabiana Cherubim – 16 – 9776 2410, fabiana@vinhoalemão.com .

Um comentário:

Fabiana disse...

Olá Sergio, tinha postado um comentário há algum tempo mas acho que fiz alguma coisa errada e ele não foi salvo :) Gostaria de agradecer a linda reportagem e te parabenizar pela qualidade das informações! Grande abraço, Fabiana S. Cherubim