sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

HAPPY NEW YEAR !!! FELIZ ANO NOVO !!!

PESSOAL

FELIZ AÑO NUEVO

FELIZ ANO NOVO

HAPPY NEW YEAR


TODOVINHO PARA TODO O MUNDO

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

MADEIRA – UM VINHO VERSÁTIL

A Ilha da Madeira teve inicialmente na cana-de-açúcar sua cultura predominante, a ponto de figurar em 1500 como a maior produtora de açúcar do mundo. Com a evolução dos canaviais brasileiros, apoiados na mão-de-obra escrava, gerando açúcar mais barato, a ilha derivou suas atividades para a vitivinicultura.

Foi a sorte grande da Ilha da madeira.

A videira que ocupava o segundo lugar nas atividades ilhotas, cresceu consistentemente com as variedades Malvasia, Tinta da Madeira, Malvasia Roxa, Sercial, Verdelho, Boal e a Negra Mole.

As vinhas adaptaram-semuito bem nas íngremes encostas soalheiras do lado sul nas quais são conduzidas no sistema de latadas ou pérgulas, formando sucissivos carramanchões em degraus morro abaixo. A colheita é manual e as uvas são conduzidas em cestos.

O estilo Madeira originou-se dos vinhos embarcados para venda nas transações no Oriente e tinham uma parte não vendida, que retornava novamente no calor márítimo e no balanço oceânico. Verificou-se que esses vinhos voltavam com uma qualidade bem característica.

Com a descoberta deste tipo de qualidade especial dos vinhos Madeira, estes passaram a ser vendidos sob o nome de Vinho de Volta ou Vinho de Torna-Viagem. Essas longas viagens, feitas sob forte calor, induziam o vinho a um envelhecimento suave, cujo gosto foi muito apreciado nas cortes européias.

O vinho Madeira é um licoroso com teor alcoólico entre 18 e 20º, elaborado com adição de aguardente vínica para abafar a fermentação natural e outras providências que procuram reproduzir as condições de envelhecimento das antigas viagens. Tem sempre relação com a uva que o gerou: Malvasia – doce, suave, denso, de cor e perfume acentuados; Sercial – seco, leve, de cor clara e de aroma suave; Verdelho e Boal – intermediários entre o Malvasia e o Sercial.

A tradição nos ensinou que o Madeira pode ser aperitivo, acompanhamento de sobremesas ou companheiro do deleite de um bom charuto para quem o aprecia.

No entanto, experiência que fizemos em restaurante de São Paulo mostrou as qualidades dos vinhos Madeira na harmonização com pratos na sequência inteira de uma refeição.

A salada Caesar de entrada ficou bem harmonizada com Sercial, tanto da Wine Company, (5anos, seco, açúcar 45 g/litro, 19 ° GL, da Mistral) como da Justino’s (10 anos, lote, seco, açúcar 50 g/litro, 19° GL, da Casa Flora).

O primeiro prato, ravioli recheado com ricota e amêndoas, ao molho curry com maçãs e uvas passas saiu-se muito bem com Verdelho, nos dois exemplares testados: Blandy’s Rain Water (3 anos, meio seco, 80 g/litro, 18.9° GL, da Mistral), e Justino’s Madeira Verdelho (10 anos, meio seco, açúcar 70 g/litro, 19°GL, da Casa Flora).

O segundo prato, escalope de mignon ao molho funghi com risoto de tomate seco e rúcula, casou-se perfeitamente com um Bual Borges Reserva (5 anos, meio doce, 18,5° GL), assim como ao Justino’s Madeira (10 anos, meio doce, 19° GL), ambos da Casa Flora.

A sobremesa, torta de chocolate com nozes, calda de chocolate quente com sorvete de creme, a harmonização esteve muito bem com Blandy’s Rich Malmsey Tinta Negra (15 anos, doce, açúcar 00 g/litro, da Mistral, e com Justino’s Madeira Colheita 95 (doce, açúcar 110 g/litro, da Casa Flora).

Navegando pelas surpresas nas distintas harmonizações, os Madeira ajustaram-se aos pratos servidos e se revelaram muito bons de casamento!

RUBY CABERNET - VARIETAL DA CAMPOS DE CIMA



A variedade Ruby Cabernet é uma criação do eminente pesquisador e hibridador californiano Dr. H.P.Olmos, da Universidade de Davis, California, efetuada pelo cruzamento da Cabernet Sauvignon com a Carignan, no ano de 1948. A idéia era manter a qualidade excepcional davinífera Cabernet aumentando a produtividade através da vinífera Carignan.


O vinho resultante da Ruby Cabernet apresenta-se com a cor vermelho mais pronunciado, adquirindo da Cabernet Sauvignon alguns aromas básicos como das frutas como cereja e ameixa e mantendo a coloração forte e estável da Carignan.



Na California existe uma grande área plantada com esta variedade, qualquer coisa ao redor de 5 mil hectares, condição que pode ser prejudicial pela filosofia massificante dos norte-americanos, prejudicando a qualidade possível através da grande produtividade no vinhedo.

O Todovinho da Semana selecionou o rótulo Ruby Cabernet da vinícola Campos de Cima, localizada na cidade de Itaqui, RS, na emergente região vinícola da Campanha Oriental.


Trata-se de um varietal elaborado a partir de uvas colhidas de vinhedo conduzido em espaldeira dupla, espaçamento entre plantas de 1,20 m, densidade de 2.535 plantas por hectare, baixa produtividade por videira.


A Região da Campanha Oriental é uma continuação da região vitivinícola uruguaia que margeia o rio Uruguai de onde vieram as videiras de Tannat para a Região da Campanha Gaúcha.


A Campos de Cima é uma vinícola butique na qual seus proprietários exercem uma produção que poderia ser classificada de vinho de autor.


Este varietal de Ruby Cabernet apresenta a tipicidade da casta. No seu aspecto visual destaca-se a cor vermelho, reflexos violáceos e lágrimas abundantes. No olfato, aromas vegetais de folha de parreira, sutis toques de especiaria, sobre notas frutadas de ameixa preta e maçã verde. Um traço lembra tabaco de cigarro. O ataque de boca é forte, corpo médio, acidez correta e viva, equilibrada com o teor alcoólico de 12% e os taninos maduros.

A vinícola Campos de Cima ainda oferece outros bons rótulos: Tannat, Malbec, Primeiro Corte (Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat), Tempranillo, Viognier e o espumante champenoise brut Campos de Cima.


(para receber em casa: contato@camposdecima.com.br )







































segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

PRESIDENTA DILMA COMEÇA COM CASA VALDUGA

A receção de posse de Dilma Roussef como presidente da República do Brasil reunirá 3.000 convidados, brasileiros e estrangeiros, que serão recebidos com vinhos da Casa Valduga, uma das melhores vinícolas nacionais.

Para causar boa impressão aos convidados o Itamaraty conduziu uma rigorosa seleção entre os produtores nacionais levando em consideração critérios como o número de premiações internacionais em eventos de grande relevância, a enologia de elaboração, detalhes do método champenoise aplicados, maturação em barris de carvalho e prova organoléptica.



Serão servidos o Chardonnay Gran Reserva. o espumante Casa Valduga Brut Premium, o Casa Valduga Cabernet Sauvignon ran Reserva e o ícone Storia Merlot.


Juarez Valduga e Didu Russo.

Ao longo de 2011, esses vinhos continuarão a ser servidos nas recepções oficiais coordenadas pelo Itamaraty.

domingo, 26 de dezembro de 2010

VINHOS ARACURI - RESPOSTA AO LEITOR

O leitor Rolim quer saber sobre a vinícola Aracuri Vinhos Finos:

A vinícola tem a denominação de Aliprandini e Meyer Vinhos Finos Ltda - Aracuri Vinhos Finos e se localiza em Muitos Capões, Rio Grande do Sul, numa altitude de 960 msnm, fato que coloca seus produtos na categoria de vinhos de altitude.

Nas condições de altitude, as uvas amadurecem mais lentamente e têm colheita fora da época das chuvas de verão, garantindo maior concentração de açúcares e, assim, maior teor alcoólico no vinho. O amadurecimento completo também propicia a maturação fenólica dos componentes da casca da uva o que resulta em mais cor e mais aromas.

O predicado "mais cor" significa maior conteúdo de antocianinas e taninos, estes que são os protetores para o envelhecimento nobre do vinho.

Os vinhos Aracuri, varietal premium Cabernet Sauvignon ou varietal Collector Cabernet Sauvignon são bons exemplares da qualidade dos vinhos de altitude.

APRECIANDO VINHOS ROSÉS

O preconceito contra os vinhos rosés no Brasil é histórico e nasceu com a grande ascensão dos vinhos robustos franceses, espanhóis, portugueses e italianos na década de 1990, coincidentemente com a fase de nascimento do vinho brasileiro de qualidade mundial. Até esta época os rosés eram presença obrigatória na maioria das mesas brasileiras.

Mas as eventuais considerações de que rosé não é vinho ou de que é um vinho inferior são completamente infundadas, porque nascem da mais pura ignorância de enófilos desinformados. Quando se estudam seus processos de elaboração, com cuidados e detalhes primorosos, chega-se ao conhecimento das raízes que levam a descritores de grande finura aromática.




As séries aromáticas dos vinhos rosés, ao contrário do que consideram os simplistas, são importantes descritores de sua natureza e qualidade:

Séries aromáticas vegetais:
folha de framboesa, pimentão .................rosés de cabernet sauvignon

Séries aromáticas florais
flor de laranja, pêssego ou uva; rosa, violeta, flores secas...rosés de pinot noir

Séries aromáticas frutadas
cereja, groselha, cassis..............................rosés de pinot noir
morango, framboesa................rosés de cabernet sauvignon,tannat, cinsault
pêssego, pêra, maçã, figo.......................... rosés de grenache

Séries aromáticas fermentárias
levedura, bombom.............................rosés com leveduras especiais

Séries aromáticas de especiarias
pimenta-do-reino.................................rosés de shiraz, mourvèdre.




Dois métodos de produção garantem mais força ou mais elegância às características aromáticas distintas e oferecem diferentes sensações na degustação.

No método de elaboração por pressão (pressurage), as uvas tintas ou rosadas são esmagadas e o mosto levemente colorido que escorre é deixado em maceração a frio por um período de 12 a 48 horas, até que a cor prevista seja atingida. Neste momento, as cascas são sacadas e a temperatura é elevada para dar início à fermentação. Os rosés deste processo oferecem mais sutileza.



Pelo método de elaboração por sangria (saignée), uvas tintas são vinificadas seguindo o mesmo processo utilizado para os vinhos tintos (com fermentação e extração concomitante). A certa altura, o enólogo conclui que chegou a hora de sangrar o mosto (retirar as cascas que dão a cor ao vinho), para obter o rosé na cor pretendida. Em geral, esses rosés têm mais força em seus descritores.

AUSTRIAN WINES - VERY TIGHT LAWS

Considera-se que os celtas cultivaram vinhas em terras meridionais austríacas cinco séculos antes da era cristã que os romanos mantiveram nas províncias locais de Noricum e Pannonia, apesar dos repetidos ataques dos bárbaros.

Houve grande progresso na época de Carlos Magno e a região recebeu também a contribuição do trabalho vitivinícola dos monges cistercienses ao redor dos seus monastérios.

Na época do império austro-húngaro, os famosos vinhos de Tokay abafaram o crescimento dos vinhos austríacos.

No século XX o vinho austríaco teve grande expansão, sem grandes controles oficiais, tornando-se uma produtora expressiva de bons vinhos e durante muito tempo foi a grande fornecedora para os vinhos alemães da garrafa azul dos idos de 1980.

Ao redor de 1985 ocorreu uma grave crise deflagrada pelo escândalo dos aditivos anticongelantes, dietileno glicol, que resultou em algumas mortes e um grande problema que colocou os vinhos austríacos sob desconfiança internacional, acarretando a perda do seu maior cliente, a Alemanha.

Como país desenvolvido, enfrentou o problema com ações efetivas para coibir qualquer iniciativa que ferisse a qualidade genuína de seus vinhos. Veio, então, a legislação austríaca que é espelhada na alemã mas muito mais rigorosa.

A maior parte dos bons vinhos austríacos vem da região cortada pelo Rio Danúbio, noroeste do país, dos distritos de Weinviertel, Kamptal-Donauland, Wachau, etc. Outras regiões vinícolas com expressão são Burgenland e Styria.

As variedades mais cultivadas as brancas Grüner Veltliner (1/3 da área plantada), Müller-Thurgau, Welschriesling, Weissburgunder, etc., e as tintas Zweigelt, Blauer Burgunder (Pinot Noir), Cabernet Sauvignon, etc.

Os distintos níveis de qualidade e tipos de vinho foram definidos pela nova e atual legislação de 1985:

Primeiro nível - vinhos básicos, sem controles oficiais - Tafelwein - vin de table, vinho de mesa.

Segundo nível - vinhos com controles pouco rigorosos, Landwein - vin de pays, vinho regional.

Terceiro nível - vinhos de qualidade com controles rígidos porém, sem predicados especiais, representando o vinho de qualidade básico do país, Qualitätswein - vin de qualité supérieure. São os vinhos de qualidade varietais bésicos de todo o mundo:

- Kabinet - 11% de teor alcoólico.

Quarto nível -m o mais alto nível de qualidade dos vinhos austríacos - Prädikatswein, vinhos de qualidade com predicados especiais:

- Spätlese - 12% de teor alcoólico.
- Auslese - 14,5% de grau alcoólico.
- Strohwein - 18% de grau alcoólico - vinho elaborado com de uvas secas
- Eiswein - 18% de grau alcoólico - vinho elaborado com uvas congeladas
- Beerenauslese - 18% de grau alcoólico - vinho elaborado com bagas
bem maduras, selecionadas uma a uma
- Ausbruch - 19% de grau alcoólico - vinho elaborado com uvas botritizadas
- Trockenbeerenausklese - 30% de grau alcoólico – vinho elaborado com uvas
colhidas com as bagas secas selecionadas

sábado, 25 de dezembro de 2010

ACAVITIS - CHEGOU A HORA DA UNIÃO GLOBAL!

Comento com a autoridade de quem andou com o saudoso Dilor de Freitas dentro de uma imensa cratera na encosta do terreno dentro da qual hoje está cravada uma das mais belas vinícolas do mundo. Da mesma forma andei com amigo Maurício Grando quando ele mostrava orgulhosamente uma coleção de videiras finas das quais iria tirar aquelas que iriam formar seus grandes e perfeccionistas vinhedos. Também conversei com o pesquisador Francisco Brito quando as primeiras experiências de vinificação saiam de suas mãos. Convivi momentos de muita importância com o jurista Edson Ubaldo passeando por pequeno vinhedo, antigo e pioneiro, lá pelas bandas de Campos Novos.

Devo comentar porque assisti ao parto natural e o nascimento da Acavitis – Associação Catarinense dos Produtores de Vinhos Finos de Altitude, pelas mãos de um grupo liderado pelo Manoel Paulo de Freitas, reunindo sonhos e planos daqueles poucos que nem eram ainda efetivamente vinhateiros. A união desarmada de pessoas, empresários e pesquisadores, que não traziam a experiência do "nonno" ou do "bisnonno", abriu uma nova janela para o futuro do vinho brasileiro.

Estive ultimamente acompanhando meus amigos da Acavitis e notei alguns descompassos que me preocuparam porque um diferencial dos catarinenses era a inexistência de divisões e antagonismos exacerbados.

Conhecendo a capacidade do Bassetti, do Kranz, do Grando, do Nazario, do Suzin e de tantos outros amigos do vinho catarinense, conclamo-os a iniciar uma campanha para a
coesão de todos, todos mesmo, para a grandeza da Acavitis e do vinho fino de altitude catarinense!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

MERRY CHRISTMAS FOR ALL FRIENDS

AMIGOS


FELIZ NATAL

FELIZ NAVIDAD

MERRY CHRISTMAS

JOUEUX NOËL


WWW.TODOVINHO.BLOGSPOT.COM

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

WINES OF BRASIL – EXPORTAÇÃO DE VINHOS BRASILEIROS

O Brasil importa ao redor de 70% dos vinhos finos que consome. A produção brasileira não tem área suficiente de vinhedos de viníferas para atender à demanda interna e só tem atuação forte no segmento dos espumantes. Um risco pode ser o aumento de elaboração de bons e baratos espumantes pela Argentina, por exemplo.

O Projeto Setorial Integrado Wines of Brasil, idealizado e realizado pelo Ibravin – Instituto Brasileiro do Vinho e pela Apex-Brasil, foi iniciado em 2002, com adesão de seis vinícolas. Atualmente conta com 37 aderentes das quais 21 já efetivaram exportações. As cifras totais em dólares são, como não poderiam deixar de ser, pequenas e, quando repartidas pelas exportadoras, menos significativas ainda.

Em 2008, as exportações somaram US$ 4,68 milhões de dólares, uma parcela média de US$ 223 mil dólares para cada um dos 21 exportadores. Bom para as pequenas, imagem de mercado para as grandes! Para o Brasil, é o preço do investimento para consolidar uma visibilidade positiva do vinho brasileiro diante do próprio consumidor brasileiro!

O difícil ano de 2009, ainda mais problemático devido ao câmbio desfavorável, assistiu caírem as exportações de vinhos brasileiros para a metade do ano anterior. Para compensar os fatores negativos, o Wines of Brasil procurou focar o trabalho em oito mercados-alvo para a promoção dos vinhos brasileiros no exterior. Alemanha, Suécia, Canadá, Estados Unidos, Hong Kong, Países Baixos, Polônia e Reino Unido, que receberam uma maior atenção e investimentos do Wines of Brasil em 2010 e 2011.

A estratégia deu resultado. De acordo com a gerente de Promoção do projeto, Andreia Gentilini Milan, até novembro deste ano o Brasil já superou em volume e em valores a exportação de vinhos engarrafados (foco do projeto) de todo o ano passado. Os vinhos a granel ficam fora da campanha. De janeiro a novembro, foram vendidos 1,62 milhão de litros de vinhos para o exterior, ante 1,49 milhão de litros colocados em 2009. Isto rendeu um total de US$ 3,84 milhões até novembro deste ano, contra US$ 2,57 milhões de 2009.

Mas por que investir tanto no mercado externo, se o mercado brasileiro é imenso e cobiçado por todos os países produtores de vinhos do mundo? Andreia Gentilini Milan se apressa em responder: “O sucesso das exportações de vinho fará o consumidor brasileiro diminuir seu pré-conceito quanto aos nossos produtos, tornará nossos produtores mais competitivos principalmente no mercado doméstico e dará ao setor visibilidade, reconhecimento e a capacidade de se anteceder a tendências mundiais.”

Mas, independentemente dessas vitórias, valeria a pena o Ibravin investir pesado no aumento de consumo per capita do brasileiro e na reconversão dos vinhedos brasileiros que exibem atualmente um atraso de mais de 100 anos!

ICEWINE PERICÓ - O PRIMEIRO DO BRASIL

A primeira vez que os vinhos de altitude catarinenses foram notícia em âmbito nacional foi quando eu escrevi para a revista Vinho Magazine depois de visitar Água Doce (altos de Caçador), Campos Novos, Bom Retiro e São Joaquim. Não existiam as vinícolas de hoje com seus vinhos de ponta no cenário da qualidade do Brasil.

Naquela época um fator diferenciador da nova indústria vinícola de Santa Catarina me chamou a atenção - o estilo perfeccionista que me foi transmitido pelo saudoso Dilor de Freitas (Villa Francioni), pelo empresário Maurício Grando (Villaggio Grando), pelo jurista Edson Ubaldo (Campos Novos), pelo especialista Francisco Brito (da pioneira Quinta da Neve) e assim por diante.

Depois vieram outros abenegados da perfeição, os executivos Francisco Koyama e o saudoso Teodoro Mune (Sanjo), o empreendedor Nazario Santos (Quinta Santa Maria), o mega-empresário Wandér Weege(Pericó), o empresário de frutas Everton Suzin...

Para coroar, sem ter encerrado a lista de personalidades ímpares, ocorreu o lançamento do primeiro Icewine brasileiro, Pericó, no dia 10 de 10 do 10, às 10 horas, 10 minutos e 10 segundos... Essa é do Wandér!

Mas isso foi só para começar! A preciosa bebida vem numa garrafa importada e primorosamente escolhida, acondicionada em estojo de metal artisticamente decorado, que você (que não é pão-duro)pode comprar duas e colocar em uma sacolinha de motivo do vinho do gêlo.



Em operação coordenada por Jefferson Sancineto Nunes, mais um especialista gaúcho contribuindo para a grandeza do vinho fino catarinense, o resultante Icewine Pericó é um vinho licoroso com características especiais decorrentes da colheita da uva congelada naturalmente nas videiras.

O Icewine Pericó apresenta-se encorpado, com um agradável doce equilibrado com a necessária acidez, aromas de frutas maduras, traços mélicos, boca consistente, mastigável e de longa persistência.

(contatos: www.vinicolaperico.com.br / 049 - 3233 1100)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

CASA VALDUGA - A QUALIDADE TEM NOME

Entrei na minha adega, apanhei uma garrafa sem rótulo, simplesmente etiquetada como Casa Valduga, Cabernet Sauvignon, Gran Reserva 2005, e abri para fazer a prova dos vinhos brasileiros mais maduros.



O vinho foi decantado e, depois do descanso, foi para os cálices.

Fomos postivamente surpreendidos por um vinho bom para ser bebido, embora com estrutura para suportar mais alguns anos de guarda.

A cor intensa e ainda viva (sem aditivos enológicos), bem demonstrava a qualidade do vinho. Lágrimas intensas, gordas e preguiçosas denunciavam o toque aveludado na boca. No nariz, uma mescla de baunilha, framboesa e casca de jabuticaba, emoldurados por leve tabaco. No paladar um ataque com pleno preenchimento do centro da boca, frutas maduras, baunilha e toque de taninos maduros. Um vinho bem equilibrado com final de boca agradável e longo. E precisava mais?

Este é o tipo do vinho que você não consegue parar na primeira garrafa...Paramos porque era filha unica de mãe solteira com o soldado desconhecido! Traduzindo, só havia uma garrafa.

VINHO DA SEMANA: CASA PERINI TANNAT 2002

Esta garrafa de Casa Perini Tannat 2002 produzido pela Vinícola Perini foi o último dos moicanos de uma caixa que meu amigo Benildo Perini me deu, a contragosto, porque ele queria me dar uma caixa de Cabernet Sauvignon. Mas na bacalhoada em Caxias do Sul, eu gostei mais da harmonização perfeita da potência do Tannat com a untuosidade do prato.

Trouxe para São Paulo a minha caixa e retirei uma garrafa para levar para uma degustação que foi realizada por grupo de jornalistas com a Jancis Robinson. Nosso objetivo era obter dela uma avaliação de vinhos brasileiros. Comentário da mais famosa especialista em vinhos do mundo: "Este Tannat está muito bom, os uruguaios que se cuidem!".



Fugindo à regra geral, este vinho brasileiro safra 2002, estava inteiro e soberbo.

Uma cor natural rubi escuro com toques cor de telha na ponta da lente, sinal da evolução de oito anos, lágrimas gordas e preguiçosas, nariz de compota de frutas, toques de chocolate e tabaco, boca equilibrada com o domínio de marcantes maduros taninos, acidez correta e álcool comportado. Corpo gordo e de bom preenchimento de boca. Final longo taninoso e agradável.

Vinho aprovado...pena que as garrafas se acabaram.

(informações na vinícola: sac@vincolaperini.com.br)

sábado, 18 de dezembro de 2010

VINHOS TINTOS COM UVA BRANCA?

Numa das vezes que estive visitando o Vale do Rhône, entreguei-me à degustação dos grandes vinhos da região e, pela primeira vez, prestei atenção no detalhe da composição varietal dos robustos tintos de Côte Rôtie, Crozes-Hermitage, Hermitage e outros semelhantes.

Tomo como exemplo de composição varietal o Côte Rôtie de Pierre Barge, com 95% de Syrah cortado com 5% de Viognier. Neste caso me veio à cabeça a pergunta: se o enólogo se esmera em ter um Côte Rôtie de cor intensa porque ele corta a tinta justamente com uma uva branca, que não tem cor na casca?

A explicação não é lógica para nós, leigos apreciadores.

Sempre tive comigo que a cor do vinho tinto resultasse basicamente dos pigentos da casca da uva tinta e que tivesse intensidade de acordo com o tempo de extração a frio ou da extração na temperatura da fermentação.

O professor californiano Roger Boulton, que tem estudado o processo, chegou à conclusão que se trata do fenômeno da copigmentação. A copigmentação é o incremento que experimenta a cor dos pigmentos naturais da uva tinta (Syrah, por exemplo) com a presença de elementos incolores (Viognier, por exemplo), dentro de determinadas proporções e limites.

Os compostos formados pela associação de muitos pigmentos produzem desdobramentos de cores escuras, tornando-as mais intensas do que ficariam se cada uma delas estivesse isolada e só, em sua forma livre. O aspecto impressionante é que essas formações produzem-se com pequenas moléculas que não são nem taninos, nem antocianos. Os componentes principais são os cofatores, substâncias fundamentais na formação dos compostos coloridos.

Isso explica para os especialistas porque certos vinhos tintos baseados em uvas tintas com conteúdo limitado de cofatores necessitam que se agregue na maceração pequenas quantidades de uvas brancas, visando tornar o vinho mais tintório!

Os cofatores incrementam os níveis de copigmentação, que resultam na geração de cores mais intensas.

Obviamente que esse corte com uvas brancas para maceração requer um apurado estudo para se obter composições de resultados positivos. Qualquer excesso de uvas brancas prejudica totalmente o processo, é lógico.

Então, toda vez que você encontrar um assemblage tinto em cuja composição entre uva branca, lembre-se da copigmentação.

VINHO DE AUTOR - UM BRASILEIRO DE SUCESSO

Tenho uma adega particular que guarda garrafas compradas, trocadas e recebidas como presente, assim como amostras para avaliação, garrafas rotuladas ou etiquetadas, enfim, um mar de vinhos importados e nacionais que vão sendo analisados ao longo do tempo.



Vinhos brasileiros são degustados na época em que me chegam as garrafas e anos depois, com as garrafas testemunhas que guardo para conhecer a qualidade da evolução. Muitas vezes as surpresas reservadas são desagradáveis porém, em outras oportunidades tenho tido momentos e circunstâncias para prazerosamente elogiar.

As surpresas desagradáveis vêm de vinhos sem estrutura que morrem em poucos anos de estocagem sob condições adequadas. O que tenho notado é que vinhos de descrição empolgada "vinho tinto de cor vermelho escuro intenso" podem não passar de vinhos batizados com enoantocianos comprados na farmácia da esquina ou vinhos de positiva descrição como "toques de caramelo, especiarias, café ou chocolate" podem ser truques de contorcionismos enológicos da aditivação comercial.

Não tenho o purismo de descer aos extremos de apologias somente aos vinhos naturais. O que não quero é aceitar os porões do inferno vinícola praticado por alguns!

Como existem muitos vinhos brasileiros nos quais se possa acreditar, que podem ser guardados e apreciados depois de muitos anos, apanhei uma garrafa que ganhei do Marco Danielle há uns bons anos.

Trata-se de um Minimvs Anima, Vendimiae MMV-MMVI, uvas do terroir de Encruzilhada do Sul, RS, rendimento 2 kg/videira, corte de 70% de Cabernet Sauvignon com 30% de Alicante Bouschet, 2005. Antes de continuar, vejamos quem é o autor do vinho aliás, deste vinho de autor!



Marco Danielle produz vinhos artesanalmente partindo de uma das melhores matérias-primas disponíveis no Brasil - uvas de Encruzilhada do Sul, Serra Sudeste. A uva vem de cultivo sob produtividade reduzida, obtida por raleios radicais, que respeitam a fisiologia e o equilíbrio da videira. No lagar, os vinhos são elaborados de forma natural e criteriosa. Não são filtrados ou estabilizados artificialmente, de forma a preservar ao máximo os descritores do seu caráter natural. O depósito que pode se forma em garrafa não é para fazer charme, mas para deixar claro que o processo de vinificação transcorre com mínima intervenção ou melhor, com nenhum malabarismo enológico. Como os vinhos são elaborados a zero SO2 (sem conservante INS 220), as condições de guarda têm que ser em ambiente com climatização, sem vibrações e ao abrigo da luz.

A decisão de se elaborar vinhos naturais, com mínimo ou nenhum conservante, impõe o risco de se ter, no momento do serviço, na taça um frisantino leve e evanescente, para algumas garrafas, lotes ou safras, sem representar defeitos da qualidade. Basta promover a aeração em decanter ou na própria taça para liberar os resquícios gasosos.

Na taça, o vinho mostrou cor muito intensa, lágrimas abundantes e lentas, aromas de compotas de frutas, ameixa preta seca, toques de tabaco e chocolate amargo, boca gorda com ótimo preenchimento sobre a língua, figo em calda, bananada sobre um fundo de chocolate. Equilíbrio acidez, taninos e álcool. Final de boca agradável e persistente.

Um vinho de alta qualidade e complexidade que oferece uma leve sombra do que se passa na cabeça do Marco Danielle!

(CONTATOS: tormentas@tormentas.com.br )

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

MEMÓRIA DA REVISTA PLAYBOY

Não me lembro quando foi. No início da década de 1990? Talvez! Foi provavelmente o último encontro da Confraria da Playboy. A foto foi exigida pelos participantes para provar em casa que a degustação não envolveu as meninas do calendário Playboy do ano seguinte mas, pelo contrário, os bons espumantes brasileiros daquela época.



Faz tanto tempo que nem me lembro mais dos nomes das pessoas pela fisionomia. Sentado, ao centro, com o sorriso sempre maroto, o saudoso Saul Galvão. Em pé, atrás dele, Luciano Percussi e à esquerda deste, Sérgio Inglez. De camisa branca e cabelo black power, Jorge Carrara.

Os espumantes foram classificados em três grupos:

primeiro grupo

De Gréville - champenoise - De Lantier
M. Chandion - charmat longo - Provifin
Forestier - champenoise Maison Forestier

segundo grupo

Almadén - charmat - National Destillers
Lejon - charmat - Heublein
De Gréville - charmat - De Lantier
Conde de Foucauld - charmat - Cooperativa Aurora

terceiro grupo

Peterlongo Fino - charmat - Armando Peterlongo
Georges Aubert - charmat - Georges Aubert

Boas lembranças fazem da vida uma aventura sempre melhor!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

RKATSITELI - UM VINHO DE 9.000 ANOS

Nos primórdios da transição do homem nômade para sedentário, foram surgindo os primeiros vilarejos onde se começou o advento da agricultura com plantios de roças, frutíferas e a domesticação de animais. Paralelamente continuavam as atividades de coleta de alimentos nas florestas.

Quando uma mulher comum da Armênia, que eu resolvi dar também um nome comum armênio, Vartanux, estava lavando os grandes jarros de cerâmica queimada para acolher novas uvas colhidas das videiras selvagens, sentiu vir do líquido colorido acumulado no fundo, um aroma láctico que tocou fortemente a sua sensibilidade. Os aromas a fizeram lembrar de um aroma semelhante que subia dos seus seios quando amamentava seus filhos. A lembrança olfativa agradável trouxe a atração para o primeiro gole. A divulgação da prazerosa bebida fez com que todos a tomassem e aprovassem. Estava descoberto o vinho!

Primeiramente, o vinho estendeu o período de utilidade das videiras para além da época da coleta. Pela utilidade como alimento, o vinho induziu o início do plantio das videiras nos arredores dos acampamentos.

Se no começo servia para consumo familiar e o excedente para trocas com vizinhos, com o aumento de sua produção os povos foram buscar clientes cada vez mais distantes.

A Geórgia, também parte desse cenário, vivenciou o mesmo processo que resultou no plantio dos primeiros vinhedos da humanidade por volta dos 7.000 a.C., segundo comentários históricos.



Das áreas da Geórgia foi sendo espalhada pelas partes mais próximas como as repúblicas soviéticas, Bulgária, China e leste europeu. No cômputo geral da atualidade ocupa a terceira posição mundial em termos de área plantada, ganhando da Trebbiano e perdendo para a Airen e a Garnacha.

Seu vinho apresenta estilo proprio e bem característico cuja tipicidade se apoia nos aromas florais com toques de especiarias, muito refrescante com sua acidez bem pronunciada, equilibrada pela maciez dos açúcares residuais e teor de álcool.

Nos Estados Unidos, localizada na região dos Finger Lales, estado de Nova York, a vinícola Dr.Konstantin Frank tem vinhedo de Rkatsiteli e produz um varietal muito bom que bem lembra os vinhos de qualidade da Alemanha e da Alsácia.

LICOR URUGUAIO SCHETTINI MARCA PRESENÇA MUNDIAL

Uma das gratas surpresas do ano que está chegando ao seu final foi o excelente licor uruguaio que arrebatou quatro premiações importantes no cenário internacional.



O Rubino, licor de uva Merlot, elaborado pela Schettini Liquore Fini, que apesar de novidade, já tem história para contar!

Em 1997, Walter Schettini, neto de imigrantes italianos no Uruguai, atendendo aos apelos de sua tradição, iniciou a formação de pequeno vinhedo familiar com 6 hectares em San Jose, caminho de Montevideo para Colonia, próximo das margens do rio da Prata, em uma província vinícola já consolidada.

Visitando parentes na Itália, tomou conhecimento de um licor de produção familiar, receita secreta, que por gerações aqueceu os corações dos Schettini.

Com o vinhedo de Merlot e a receita da família, os Schettini uruguaios lançaram-se à elaboração de um licor artesanal de cor rubi, com reflexos delicados na cor âmbar,de aromas e sabores marcados pela ameixa preta, toques de cravo e fundo de cerejas maduras, boca delicada apesar dos 28% de graduação alcoólica.

Trata-se de uma excelente opção para aperitivar, para acompanhar charutos ou para fazer harmonização com sobremesas variadas, em especial, complementando os sabores de bolo de chocolate e trufas.

As quatro premiações em 2010 foram as seguintes:

Doble Medalla de Oro. "Vinus 2010". Mendoza - Argentina. Maio 2010.

Medalla de Oro. 5º Concurso Internacional "Vinhos do Brasil". Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul - Brasil. Julho 2010.

Doble Medalla de Oro. Concurso Internacional "La mujer elige". Mendoza - Argentina. Setembro 2010.

Medalla de Plata. 5to Mediterranean International Wine & Spirit Challenge - Terravino 2010. Israel. Novembro 2010.

Não sei quando que chega ao Brasil mas se houver interessado aqui vai a indicação para acessá-los: consultas@schettini.com.uy.

CHEVAL BLANC – EM BUSCA DO MALBEC PERDIDO

Château Cheval Blanc é uma das mais sofisticadas casas vinícolas de Bordeaux, localizada em St-Émilion de onde marca presença no cume do cenário dos maiores rótulos mundiais com seu excepcional Cheval Blanc.

Tudo começou quando, em 1832, o Château Figeac vendeu uma parcela de quinze hectares de sua propriedade para Laussac-Fourcaud, área que se posicionava numa faixa de terras de solo bem pedregoso que se estende desde Figeac até os vinhedos do Château Pétrus, no Pomerol. Estes vinhedos deram corpo inicial ao Château Cheval Blanc.

Nas feiras internacionais London Exibition de 1862 e Paris Exibition de 1867, ganhou as medalhas mais importantes que passaram a fazer parte do rótulo dando-lhe o aspecto característico que se mantém até os dias atuais.


CHÂTEAU CHEVAL BLANC - UM DOS MAIORES ÍCONES DO VINHO MUNDIAL

A composição deste premiado Cheval Blanc trazia como elemento chave da qualidade a participação da casta Malbec com parcela expressiva do seu assemblage. Esta variedade também dominava a maior parte da área dos seus vinhedos.

Como no restante da França, os vinhedos de St-Émilion foram vitimados pela praga devastadora filoxera, inseto trazido com a introdução de variedades americanas na Europa com o péssimo hábito de devorar as raízes das videiras. O resgate da viticultura mundial se deu introduzindo a técnica de enxertar a variedade original sobre estacas americanas resistentes à filoxera.

Desta forma ocorreu a recomposição dos vinhedos da Cheval Blanc com as variedades originais, ou seja, Malbec, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Merlot. O processo se desenvolveu normalmente com todas as variedades menos com a Malbec que não repetiu como videira enxertada a excepcional qualidade de uva e não foi possível elaborar os excelentes vinhos antes da filoxera.

A busca de novo assemblage exigiu trabalho com profundos conhecimentos da arte de compor vinhos-base, evoluindo para a substituição quase total da Malbec pela Cabernet Franc, assim reconduzindo o Cheval Blanc à posição de destaque anterior.

Nesta nova fase esta propriedade permaneceu na posse da família Laussac-Fourcaud até o ano de 1998 quando foi vendida para a LVMH – Louis Vuitton Moët Hennessy, passando a fazer parte da maior galeria de grifes ícones mundiais.

Pièrre Lourton, presidente e enólogo do Château Cheval Blanc, viu-se atraído pela idéia de resgatar uma conexão concreta com o passado através da reconstituição do corte original do seu famoso vinho.

Passou a pesquisar vinhedos pré-filoxera de videiras Malbec não enxertadas até que descobriu na Argentina, província de Mendoza, cidade de Lujan de Cuyo, área de Vistalba, o vinhedo Finca de las Compuertas com quase 80 anos de idade, cuja qualidade das uvas respondia perfeitamente aos propósitos de sua busca pela Malbec pré-filoxera para resgatar a receita inicial do Cheval Blanc.


VIDEIRA DE MALBEC CAMINHANDO PARA OS CEM ANOS!

A proprietária do vinhedo era a Terrazas de los Andes, com a qual foi celebrado um acordo, o primeiro e único joint-venture da Cheval Blanc, criando a Cheval des Andes. Os vinhedos das áreas de Vistalba completados com vinhas de La Consulta deram corpo a um terroir distintivo no qual foram aplicadas as habilidades históricas do Château Cheval Blanc para resultar o vinho Cheval des Andes, um Grand Cru do Novo Mundo. Foi vinificada uma primeira versão do Cheval des Andes 1999, consolidando o resgate da participação do Malbec pré-filoxera!



Para viajar por toda essa história visitamos a Cheval des Andes, quando fomos recebidos pelo enólogo Gustavo Ursomarso que objetivamente conduziu uma degustação vertical.


O Cheval des Andes 1999, raridade histórica, foi “degustado” através da câmera fotográfica!

Começamos pelo Cheval des Andes 2002, composição 56% de Cabernet Sauvignon, 40% de Malbec e 4% de Petit Verdot, teor alcoólico de 14,3%. Cor escura no corpo e leve evolução na ponta da lente, puxado a especiarias, frutas bem maduras ou compota, encorpado, bem arredondado, equilibrado e de bom preenchimento do centro da boca. Final agradável com seus toques de taninos fortes e elegantes. Um vinho maduro.

Cheval des Andes 2005, com 60% de Malbec, 26% de Cabernet Sauvignon, 7% de Merlot e 7% de Petit Verdot, teor alcoólico de 14%. Cor escura, a lente superficial rodeada por halo colorido em vermelho rubi, explosão de frutas vermelhas e negras, cerejas, ameixas pretas e groselhas, toques achocolatados, encorpado, equilíbrio vivo entre taninos e acidez, mastigável. Final de boca prolongado com taninos resolvidos sobre traços de cassis. Um vinho vivo.

Cheval des Andes 2006, composição muito similar ao anterior, mesma graduação de álcool. Cor escura no corpo e halo com leves reflexos violáceos, frutas vermelhas e negras, cerejas e amoras, ameixas amarelas e traços de cassis, corpo com presença marcante de taninos ainda não amadurecidos, acidez saliente, carnudo, bom preenchimento do centro da boca. Final prolongado e marcado pela força dos taninos jovens. Um vinho muito jovem e que reclama tempo para amadurecer.


DESSES VINHEDOS O RESGATE DA FÓRMULA COM O PAPEL IMPORTANTE DA MALBEC.

A experiência vertical mostrou os vários estágios de evolução de um vinho destinado à guarda e o seu processo interno para atingir o melhor momento de consumo. Um vinho realmente super-premium!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

TOKAJI ASZÚ E SEUS PUTTONYOS MÁGICOS

Era uma bela manhã de setembro e o abafado calor do verão europeu já dera sinais de estar chegando ao seu final. No ar, o prenúncio de dias outonais mais frescos e ventilados, com as primeiras folhas avermelhadas cobrindo as árvores. À beira da estrada uma placa tosca anotava Tokaj-Hegyalja. Busquei nos meus parcos conhecimentos de húngaro, havidos no seminário de Budapest, e consegui traduzir a indicação: Sopés de Tokai. De fato, acompanhava a estrada uma contínua e suave inclinação que subia para os altos das montanhas.

Segui a passos largos pela estrada até encontrar um caminho tortuoso que subia as encostas de Oremus, na entrada do castelo do príncipe da Transilvânia, onde esperava poder tomar um bom banho e descansar meu esqueleto. No dia seguinte iria acompanhar a colheita das uvas da princesa Zsuzsanna, mulher de Gyorgy Rókóczi, principe da Transilvânia.



Na entrada, como combinado, estava à minha espera o pastor e vinhateiro particular da princesa, Laczkó Szepsi que, irrequieto e apreensivo, foi logo exclamando:

- Seja bem vindo...vamos nos apressar....temos que nos proteger!

Já à altura de outubro de 1630 e uvas Furmint e Hárslevelú, bem maduras, davam vida aos belos parreirais das encostas de Oremus, que atingiam no pico cerca de 500 metros de altitude. O pastor estava afobado e subimos acelerados, após ele grunhir entre os dentes:

- Vamos ter problemas e não iremos mais colher uvas amanhã.
Banho tomado e taça de vinho na mão, fiquei sabendo do iminente ataque de hordas turcas para aquela época do ano. Szepsi conhecia bem estas ações que recolhiam vinho para comercialização e, com poucas palavras convenceu os patrões para não colher uvas até passar a ameaça. O mobiliário e os mantimentos foram levados ao abrigo subterrâneo com entrada camuflada.

Poucas semanas depois, o vigia desce dos altos da elevação de Oremus e dá conta da presença dos invasores turcos. Simulou-se um abandono da casa e todos se esconderam no abrigo.



Os turcos vasculharam todos os cômodos do castelo e não encontrando vinho e pertences de valor, desapontados, tomaram rumo de outras propriedades.

Mal a poeira assentou, saímos do esconderijo, verificamos que vinhedos ficaram intocados, porque o aspecto dos cachos de uva não animaram aos turcos. As uvas estavam desidratadas e afetadas por bolor (em húngaro, Aszú), com a aparência da passas, o que deixou a impressão de que a safra estava perdida.

Depois de discutimos, ficou resolvido vinificar as uvas no estado que estavam pois anotações antigas de Szepsi relatavam que, a cerca de sessenta anos, em 1571, um agricultor da região, Máté Garay havia entregue a seu irmão János 52 cartolas de vinho elaborado de uvas desidratadas e com bolor (botritizadas).

Improvisamos uma velha tina de madeira, acumulamos as uvas colhidas até o preenchimento total. Surpresa! Pelas frestas do fundo da tina começou a verter um mosto formado pelo peso próprio das uvas, uma sobre as outras, que coletamos em uma tina menor. Era um suco grosso que lembrava um xarope.

Com uma velha verruma, Szepsi fez perfurações no fundo da pipa e conseguiu drenar mais. Com uma pisa sobre o monte de uvas, mais xarope escorreu na parte inferior, mosto que foi batizado de Esszencia e deixado a fermentar. Pelo altíssimo conteúdo de açúcar, a fermentação foi extremamente lenta. As uvas pisadas formaram uma pasta, que o sisudo Szepsi decidiu usar para enriquecer vinhos secos.

Apanhou uma caixa de madeira usada para colher uva e preencheu com cerca de 25 kg de pasta, dose que denominou 1 puttony e organizou a adição variada em vinho seco básico de 1, 2, 3, 4, 5, 6 puttonyos. As amostras foram deixadas por alguns dias em maceração e, depois de prensadas, foram colocadas em diferentes gönc (cartola de carvalho de 136 litros) para fermentar naturalmente.



Após semanas de espera para que se completassem as fermentações, passamos à degustação dos vinhos Aszu. As duas primeiras não apresentaram grandes diferenças e foram superadas amplamente pela amostra com 3 puttonyos, um básico digno de prova. A partir daí, 4, 5 e 6 puttonyos, ofereceram uma evolução nítida de predicados bem diferentes. Formaram o grupo dos Aszu 3, 4, 5 e 6 puttonyos.

Szepsi ainda fez amostra com 8 ou mais puttonyos e a prova indicou que a de 8 seria o máximo de adição e o seu vinho batizado de Aszu Esszencia.

Quando se aproximava uma linda cigana com uma taça deste último vinho, eu não sabia se admirava a beleza da moça ou o néctar que ela trazia, senti um cutucar de dedos no ombro... acordei, estava numa degustação. Só ouvi o coordenador falar:

- Sérgio...Sérgio..Sér-gi-o! Qual a sua nota para a amostra 8?

(ONDE ENCONTRAR: EMPÓRIO HÚNGARO - RUA DA PAZ, 956 - S.P. - (011) 5181-6298 ou 2597-0881 - Leticia, contato@emporiohungaro.com.br)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

VINHO E LIBERDADE

Na época da vindima, generalizava-se por todas as aldeias romanas a festa de confraternização e alegria dos que cuidavam do vinhedo e faziam vinho. Esta comemoração, denominada Liberália, representava a explosão de alegria depois do longo ano de árduo trabalho. Ao mesmo tempo em que aconteciam estas celebrações públicas relativamente comportadas, ocorriam os famosos rituais secretos de adoração ao deus Baco, embalos conhecidos como Bacchanalia.

Nesses bacanais, sob um dilúvio de vinho, homens e mulheres entregavam-se a verdadeiras olimpíadas sensoriais, quando a alegria irradiante ultrapassava os limites da contenção e liberava totalmente a sensualidade. Os excessos praticados nestas orgias atingiram tal ordem (ou desordem) que os burocratas de Roma, reunidos no Senado, proibiram os rituais a partir do ano de 186 a.C., tornando o evento um fruto proibido, fonte de secretos prazeres, o que atraiu uma horda ainda maior de novos seguidores.

Os efeitos do vinho sobre a sensualidade não se limitaram aos excessos daquelas comemorações anuais da vindima, mas tornaram-se uma espécie de símbolo da união perfeita entre pessoas. Segundo certas lendas, o vinho foi usado para o banho pré-nupcial dos noivos, no qual, mesclando corpos e vinho, abriam-se as portas para os prazeres e a felicidade da vida conjugal que ali se iniciava.

Muito embora limitado pela crueza da vida, pelos medos e pelas sujeições do próprio existir, o homem almeja estar liberto de suas travas e inibições, da angústia e da solidão. O vinho chega como libertador do deleite e do prazer, portador da alegria, ajudando a criatura humana na aproximação com os entes queridos, na comunicação com o próximo, e no livre externar de sentimentos e sensações. Na obra “Festa dos Deuses”, Bellini retrata, nas expressões e gestos, os efeitos libertadores do vinho.

O dicionário Houaiss oferece várias definições para o termo libertar, entre elas: “tornar livre aquilo que se acha submetido a restrições, a limites; dar vazão a, expandir, soltar, fazer aparecer o que estava em estado latente”. O homem, cativo de suas amarras, pode, com o vinho, enfim expressar sua verdadeira feição. O vinho, em si, não é um afrodisíaco, mas, sim, aquele que abre comportas.

Como em toda manifestação sensual, qualquer exagero é doença, é tara, também no vinho existe o ponto ideal para o prazer. Antes desse ponto, vislumbra-se o Paraíso; depois dele, perde-se a graça divina desse prazer e, a partir daí, tudo pode virar um inferno. A dois, degustar um vinho pode traduzir uma experiência incrível, que leva do acariciar a garrafa (e a pele amada) a explosões da memória sensorial pessoal acrescentada e, daí para a frente, de uma memória partilhada e secreta.

Assim, a humanidade pode prosseguir sua caminhada sensual e, conforme o poema de Baudelaire, Le vin des amants, os amantes viajam “à cheval sur le vin, pour un ciel feérique et divin”.

sábado, 11 de dezembro de 2010

CAFÉ AO PORTENTO - UM NAMORO QUE DÁ CERTO

Portento é um vinho fortificado produzido pela Quinta Santa Maria, com uvas de seus vinhedos de altitude, a 1.300 metros sobre o nível do mar, localizados em São Joaquim, Santa Catarina.


Vinhedos plantados nos terraços construídos nas encostas do rio Lavatudo.

Em sua elaboração, o português Nazario Santos emprega técnicas genuínas trazidas de sua experiência na região do Vinho do Porto e, mais ainda, reformou as encostas do Rio Lavatudo, transformando-as em sucessivos terraços nos moldes do Douro. O Portento é um corte de Cabernet Sauvignon, Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz. Sua fortificação resulta em graduação alcoólica de 18%. A temperatura de serviço deve ficar em 14ºC.


Winemaker Nazario Santos, pai do Portento.

Pela sua potência alcoólica e doçura, faz casamentos enogastronômicos com frutas secas e castanhas, queijos intensos como o pecorino romano, o gorgonzola, o roquefort e o português da Serra da Estrela. Sua harmonização com as sobremesas à base de chocolate ganha destaque com tiramissu ou petit gateau), além do próprio chocolate.


Degustação com harmonização em Florianópolis.

A grande jogada para aumentar o prazer do cafezinho, expresso ou de coador, é tomá-lo com uma pequena taça de Portento. Se a combinação chamar, pode-se desfrutar do triângulo amoroso Portento, café e charuto!

(www.quintasm.com)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

WINES FROM SWITZERLAND ...MUITO ALÉM DO CHOCOLATE!

A existência da videira na Suíça remonta aos afastados tempos entre 3.000 e 1.800 a.C., segundo testemunho de sementes encontradas na região de Neuchâtel.

Quanto à vitivinicultura, foi iniciada pelos romanos nas várias áreas hoje regiões vinícolas consagradas, fruto de suas passagens rumo ao interior europeu. Mais adiante, lá pelo ano 700 d.C., ocorreu a implantação de mosteiros, como o de Aigle onde, pelo trabalho dos monges, praticou-se a vinicultura. Em 1291 era a vez de Dézaley, já na beira do lago

Desde 1291 ocorreu um grande crescimento da vitivinicultura na Suíça, que atingiu um auge ao redor de 1877, com uma área de 35.000 hectares de vinhedos.

A partir desse ano, aproximadamente, a atividade vinícola entrou em declínio, face à pressão dos baixos preços dos vinhos importados, da destruição de vinhedos pela filoxera e da concorrência imposta pela industrialização nas regiões vinícolas próximas de Genebra, reduzindo a área plantada para 12.500 hectares.

Na década de 1960, a terra de Jean Piaget viu o início de uma recuperação com intensivo uso de fertilizantes e introdução de seleção de clones de videiras, visando a maior produção.

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Ao final da década de 1970 foi disparado o resgate da castas autóctones e o projeto de incremento geral da qualidade. Os resultados já podem ser vistos, ou melhor, degustados, através de muitos bons vinhos, especialmente aqueles procedentes do Valais. Desde a década de 1990 está em curso um programa de salvaguarda das castas autóctones que se propõe compor os vinhedos de Valais com uvas típicas em um quarto dos seus vinhedos.

A Suíça, além de apreciar relógios e chocolate, tem alto consumo anual per capita de vinho, cerca de 40 litros, razão pela qual consome praticamente toda a produção interna, deixando somente qualquer coisa como 10% para a exportação.

Desta pequena parcela de bons vinhos exportados, a importadora brasileira Vitis Vinifera, capitaneada por José Augusto Saraiva, vem trazendo rótulos da cooperativa Provins Valais, responsável por cerca de 10% da produção do país. Eles trabalham com 40 distintas variedades de uva de vinho, das quais 20 são autóctones suíças.

Para uma amostragem bem significativa, a Vitis Vinifera organizou um painel com os seguintes rótulos típicos:

Provins Heida du Valais AOC – Maitre de Chais, 2007, 13,5%, varietal branco da autóctone Heida ou Païen, cor amarelo verdeal, aromas de frutas brancas como pêra, toques cítricos e tons minerais, boca refrescante, acidez marcante em equilíbrio com a maciez. Final longo e agradável. Preço R$ 109,00.



Provins Cornalin du Valais AOC – Maitre de Chais, 2006, 13,5%, varietal tinto da autóctone Cornalin, passagem por carvalho francês por 15 meses, cor vermelho escuro profundo, aromas de frutas silvestres como amora e cereja, sobre toques sutis de especiarias, bom preenchimento do centro da boca, estrutura complexa e concentrada, taninos elegantes, acidez correta. Final forte e longo. Preço R$ 121,00.

Provins Domaine Evêché Valais AOC, 2006, 14%, um robusto varietal da autóctone Diolinoir , passagem por carvalho e pinus, cor vermelho rubi com reflexos groselha, nariz com especiarias e nuances sutis de morango, bom ataque na boca, corpo médio com baunilha e cravo, chocolate. Final longo e agradável. Preço R$ 137,00.



Provins Fendant du Valais AOC Swiss Valley, 2008, 12%, um interessante varietal de Fendant (nome suíço para a Chasselas), amarelo claro verdeal, aroma floral com toques de frutas brancas como banana prata, boca muito fresca pela presença de leve gás carbônico natural. Preço R$ 51,00.

Provins Grains de Malice – Valais AOC – Maitre de Chais, 2005, 13,5%, um colheita tardia do corte de Marsanne Blanche e Pinot Gris, com passagem por barris de carvalho por 15 meses, lic oroso de cor amarelo mais para dourado, aromas de compotas de frutas, frutas tropicais como manga, leve toque mineral, frescor dado pela acidez. Preço R$ 200,00.

Provins Humagne Blanche du Valais AOC - Maitre de Chais, 2005, 13.5%, um varietal branco da casta autóctone Humagne Blanche, cor amarelo mais forte, aromas cítricos sobre flores de laranjeira, toques fumés, boca elegante e equilibrada, acidez correta e refrescante. Preço R$ 109,00.


Provins Petite Arvine de Fully AOC - Maitre de Chais, 2008, 14%, um varietal branco da casta autóctone Petite Arvine, cor amarelo claro, nariz de frutas cítricas sobre notas minerais, ataque forte na boca, com notas cítricas e fundo mineral, final de boca persistente. R$ 109,00.

A viagem enológica pelas pérolas autóctones suíças poderia se alongar por outros rótulos como Humagne Rouge de Leytron, Johannisberg de Charmoson,Pinot Noir du Valais, Rouge d’Enfer, Vielles Vignes e assim por diante.

O melhor mesmo é conhecer toda a linha da Vitis Vinifera, www.vitisvinifera.com.br .

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

MUNDVS: O MUNDO DO VINHO BY CASA VALDUGA

A linha de vinhos Mundvs, da Casa Valduga, materializa uma viagem enológica através de terroirs interessantes do mundo do vinho. Cada rótulo selecionado propõe-se a extrair o perfil característico dos vnhos de determinado terroir.

Como vitivinicultura padrão, os vinhedos são conduzidos em espaldeira simples, com plantio adensado para 4.000 videiras por hectare e produção reduzida por pé, através de raleio de cachos. A colheita é manual e seletiva, conduzida com retardamento para supermaturação das bagas de uva. A fermentação é conduzida com leveduras selecionadas, entre 24 e 25°C, e completada com fermentação malolática.



O primeiro rótulo é o Mundvs Cabernet Sauvignon 2006, um potente chileno do Vale de Maipo, com maturação em barricas de carvalho francês por 18 meses e mais 12 meses em garrafa. Teor alcoólico 15%.

Na degustação, o vinho apresenta cor intensa e profunda na tonalidade vermelho rubi, lágrimas intensas, grossas e preguiçosas; nariz frutado a cerejas maduras e ameixas pretas, toques de chocolate; boca achocolatada com nuances de café e baunilha. Equilibrado, agradável e de longo retrogosto.

O segundo rótulo é o Mundvs Malbec 2007, um interessante argentino de Lujan de Cuyo, Mendoza, com maturação em barricas de carvalho francês por 10 meses e mais 12 meses em garrafa. Teor alcoólico 12,5%.

Na degustação, o vinho apresenta cor vermelho rubi escuro, lágrimas intensas; nariz frutado a ameixa pretas e amoras maduras, toques de especiarias; toque gentil com seus taninos maduros e macios, bom preenchimento do centro da boca, encorpado e equilibrado, acidez correta. Final agradável e longo.

O terceiro rótulo é o Mundvs Portugal 2008, com tipicidade de um português do Alentejo, elaborado com as castas Shiraz, Aragonês e Alicante Bouschet, com passagem de 9 meses em barrica de carvalho francês e 12 neses em garrafa. Teor alcoólico 13,5%.

Na degustação, o vinho apresenta coloração granada com intensos reflexos violáceos; no olfato, um ataque intenso de compota de frutas, toques tostados mesclados a notas de especiarias doces. Boca plena, frutas maduras e especiarias doces, estruturado e equilibrado, final de boca longo e elegante.



A viagem enológica deve continuar buscando tipicidades italianas e australianas. vamos aguardar!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

CONFRARIA DOS SOMMELIERS DEGUSTA ROSÉS

Ontem, na escola de degustação da Miolo, São Paulo, realizamos a degustação mensal da cConfraria dos Sommeliers, explorando o tema vinhos rosés franceses. Foram nove rótulos de regiões como Bandol, Côtes de Provence, Couteaus du Lnguedoc, Tavel... e um "intruso" italiano.



Foi uma interessante degustação, uma excelente oportunidade para o aprimoramento profissional sobre este estilo de vinho com direito a troca de idéias com pessoas de grande experiência.

No final todos fomos surpreendidos pela perfórmance do rosé italiano. Os resultados foram o seguinte:

Em 1º lugar com 89 pontos um “intruso” a amostra de nº 7 representada pela Cantina Zaccagnini Montepulciano D’Abruzo Cerasuolo 2008 – 12% de álcool - Ravin


Em 2º lugar com 87 pontos a amostra de nº 5 representada pelo Chateau Rubine 2009 Provence Cabernet Sauvignon, Carignan, Cinsault, Grenache Noir, Mourvedre e Syrah - 12% - World Wine


Em 3º lugar com 86.4 pontos a amostra de nº 6 representada pelo L’Hortus Coteaux Du Languedoc 2009 Syrah, Mourvedre e Grenache - 13% - De La Croix



Em 4º lugar com 86 pontos a amostra de nº 1 representada pelo Domaine Tirenne 2009 representada pelo Côtes de Provence Cinsault, Grenache e Syrah - SP Gourmet


Em 5º lugar com 85.4 pontos a amostra de nº 8 representada pelo Domaine Sorin 2009 Côtes de Provence - 12,5% - Decanter


Em 6º lugar com 85 pontos a amostra de nº 9 representada pelo Domaine St Hilaire 2009 Coteaux D’Aix en Provence - 12,5% - Premium Wines


Em 7º lugar com 84.7 pontos a amostra de nº 2 representada pelo Chateau de Pibarnon 2009 Bandol - 13,6% - Zahil


Em 8º lugar com 84 pontos a amostra de nº 3 representada pelo Château Lafoux 2009 Provence Cinsault e Grenache Noir - 13% - WorldWine


Em 9º lugar com 83,8 pontos a amostra de nº 4 representada pelo La Comballe - 14% - TAVEL 2007 - Grand Cru



Pela diversidade de estilos e cores dos rosés, desde pálidos até claretes, aromas desde frutados (morango, pêssego e maçã0 até tutti-fruti com toques minerais, boca com bom preenchimento e final longo,as notas refletiram bem o padrão de qualidade.

BEIJOS E VINHOS

O nariz e a boca participam conjuntamente tanto do beijo como da apreciação de um prato ou de um vinho. Comer, beber, beijar: prazeres absolutamente individuais, deleites que o ser humano experimenta em sua intimidade física e emocional.

À boca cabe o trabalho mecânico no conjunto dos sentidos: rasga, tritura, umidece e abriga os alimentos até o momento da deglutição. Os lábios fecham a “usina”, os dentes fazem o trabalho pesado, a língua e as mucosas captam o doce, o salgado, o ácido e o amargo, além de perceber temperatura e textura. A boca aquece os alimentos e provoca a liberação dos voláteis aromáticos para o trabalho refinado da retro-olfação. Enfim, a boca não foi feita para muito deleite além de um beijo de língua bem dado.

O nariz, além de nos despertar e impelir para aquele beijo, tem uma natureza muito mais mental e de grande sofisticação. Nada teria cheiro e, consequentemente, sabor, se não fosse o nariz, cujas células olfativas capturam as moléculas aromáticas dispersas no ar. Uma barra de ouro, por mais valiosa, não tem cheiro, uma vez que suas moléculas não são voláteis. Ao contrário, uma taça de vinho próxima ao nariz impacta-nos com seus aromas, do mais primário aos mais complexos.

Do conjunto desses aromas retiramos do fundo do baú da memória lembranças do passado, impressões íntimas, evocações de acontecimentos e emoções. Ainda mais, o olfato destaca-se por ser o único sentido diretamente ligado à complexidade das memórias e emoções. Podemos dizer que o olfato traz registros emocionais e de memória que muitas vezes nem sabíamos possuir. Isso porque, no cérebro, o centro de captação olfativa é vizinho de meia parede das áreas que governam memória afetiva e as nossas emoções.

A vontade de beijar aquela pessoa está ligada à memória de alguns aromas que levam ao atávico prazer do recém nascido, de sugar e satisfazer-se. O bebê reconhece o cheiro de sua mãe, que é a fonte das delícias de sua vida. Mama, mamar e mamãe: tudo o que gosta procura com o nariz e alcança com a boca. Assim é com o beijo, assim é com o vinho.

O beijo vem depois de sertirmos o hálito e o cheiro da pele da outra pessoa. No vinho, o gole é desejado pelos aromas que o antecedem. Se gostamos, desejamos provar.

Entre amantes, a aparência da pessoa desejada, com o tempo, acaba ficando em segundo plano, deixando o primeiro lugar para a química da pele, do misterioso perfume do amor.

Diante de uma taça de vinho que tem nossa preferência, acabamos dando pouco tempo de observação visual, ficando o primeiro lugar para a mágica do buquê, do inexplicável prazer de beber aromas.

O que nos resta, então? Nada mais que beijar e beijar a pessoa amada e tomar e tomar deliciosos vinhos...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

UM VINHO APROVADO

Dentre os vinhos de minha adega, tenho uma ampla coleção de rótulos brasileiros de safras desde 1937, mas o que aí predominam são vinhos nacionais dos últimos quinze anos. Sistematicamente tenho aberto garrafas de 1999 a 2004 para avaliar o estado de conservação após a guarda em condições ideais de luz, umidade e temperatura. Vinhos em bom estado costumam ser exceção, o que de certa forma atesta que a maioria dos nossos vinhos devem ser tomados dentro de um horizonte de 5 anos de estocagem.

Minha última experiência foi realmente gratificante. Para minha satisfação, abri a garrafa número 2865 de um Cabernet Sauvignon 2003, Michele Carraro, 11,9% de álcool, da vinícola Vinhos Reserva da Cantina Ltda, Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves.



Um Cabernet Sauvignon de cor vermelho rubi escuro, sem o desbotado de evolução exagerada, nariz a frutas maduras, chocolate e caixa de charutos, boca consistente, equilibrada, taninos maduros, acidez correta, retrogosto frutado.

Realmente um vinho surpreendente, sem alquimias enológicas, sem aditivos para dar cor, aromas e sabor. Este eu recomendo!

(vinhosrc@terra.com.br)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

BEBIDAS ALCOÓLICAS : FERMENTADOS E DESTILADOS

Em todos os cantos do mundo, rústicos ou civilizados, de clima quente ou frio, o homem sempre elaborou bebidas alcoólicas a partir das mais diferentes matérias primas, com distintas finalidades - alimentação, aquecimento, festejos, rituais ou, simplesmente, alegrar os corações.

Muitas são as fórmulas, às vezes transmitidas de geração a geração, sob forma de receitas secretas, outras vezes retratando a tradição de uma determinada comunidade. Variações à parte, a maioria das bebidas alcoólicas pode ser obtida com base em três metodologias : fermentação, destilação ou composição.

Nas composições, entram em cena a maceração e a mistura criativa dos componentes, utilizando-se uma base alcoólica proveniente de destilação ou de fermentação. Nessa categoria incluem-se muitos licores, inclusive afamados, como o Cointreau. O familiar licor de jabuticaba faz parte desse grupo.



Na classe dos destilados, o processamento parte de uma bebida alcoólica decorrente de fermentação, dito vinho, que colocada a ferver, libera suas múltiplas frações voláteis que são, posteriormente, condensadas e reagrupadas parcialmente, de acordo com o receituário do fabricante. Esta retificação da composição original, produz bebidas de caráter definido, eventualmente trabalhadas com essências aromáticas especiais.



fermentado de pela destilação resulta em

maçã ......................................................Calvados (França)
pera.......................................................Poire (França)
cereja.....................................................Kirsch (Alemanha, Áustria)
centeio....................................................Vodka (Rússia, Polônia, Estados Unidos etc)
batata.....................................................Vodka
uva........................................................Bagaceira (Portugal), Pisco (Chile, Peru), Grappa (Brasil), Singales (Bolívia)
ameixa amarela ............................................Mirabelle (França)
cana.......................................................Rum (Caribe), Cachaca (Brasil)



Os destilados têm em comum uma alta graduação de álcool ( 30 a 45 °) , o que os credencia para pequenas doses, aperitivos e coquetéis. São conhecidos, também, como álcoois brancos.

Finalmente, o processo de fermentação parte do suco integral ou diluído da matéria básica que sofre o ataque de seres vivos, chamados fermentos ou leveduras, que transformam-no em bebida alcoólica. Este é o caso do arroz que, lavado e cozido em vapor, deixado a fermentar, transforma-se numa bebida alcoólica de 12 a 15 °, o famoso saquê, aperitivo nacional dos japoneses. Da fermentação do mosto da uva, obtém-se o vinho.

domingo, 5 de dezembro de 2010

DEGUSTAÇÃO VISUAL - O QUE ACONTECE NA ADEGA

Na primeira parte da postagem Degustação Visual (novembro 2010) foi mostrada a determinante influência das condições do local e dos tratos culturais no vinhedo na determinação da qualidade das uvas, condição mais relevante para desenhar as probabilidades de se elaborar um vinho destacável.

Considerando que a colheita rendeu uvas com alta qualidade e com a madurez mais completa possível, a qualificação do vinho passa a depender das ações na adega, dos fatores relacionados com a vinificação!


SELEÇÃO DE CACHOS E BAGAS NA ENTRADA DA CANTINA GARANTE A QUALIDADE DA UVA

Com as uvas supermaduras o enólogo dispõe de um mosto bem concentrado e rico, com o qual chegará a um vinho de alta gama, se não cometer deslizes.

Sendo o vinho em elaboração um tinto robusto para amadurecimento e guarda, a uva deve ser degranada do cacho e prensada a seguir. O maior ou menor contato por maceração com as cascas resulta nas distintas matizes de cor, desde o pálido clarete até o tinto profundamente escuro.

Quando em elaboração, o vinho vai extraindo polifenóis da casca da uva, começando pelos antocianos que geram a cor violácea e em seguida passa a sacar os taninos de cor vermelho-telha. Se a maceração é curta, o vinho será violáceo e com pouco tanino para garantir-lhe a manutenção da cor. Porém, se for alongada a maceração, a cor será um tinto forte com reflexos violáceos, que se manterá por longo tempo de guarda de um grande vinho.


REMONTAGENS PARA EXTRAIR MAIS POLIFENÓIS DA CASCA

Os reflexos violáceos são a indicação de qualidade dos vinhos ainda jovens, com concentração de antocianos e forte intensidade de acidez, que vai diminuindo com o passar do tempo, pela maior acomodação da acidez jovem para a acidez madura. A intensa presença de taninos preserva o vinho da oxidação e os traços violáceos aportados pelos antocianos.


BEM, DEPOIS DE TUDO ISSO, UM SET DE VINHOS DE COR DIFERENTE PARA APRECIAR!

Um aspecto a ser observado é a variação da intensidade da cor do vinho tinto de acordo com a variedade.

Tempranillo – vermelho escuro com reflexos a granada.
Cabernet Sauvignon – vermelho rubi, violáceo com reflexos purpúreos.
Malbec – vermelho violáceo com reflexos azulados.
Pinot Noir – vermelho rubi, groselha, com corpo de boa transparência.

sábado, 4 de dezembro de 2010

NOVA YORK E A MAIS ANTIGA VINÍCOLA NORTEAMERICANA

Todo mundo sabe que Nova York é linda, vista da Ponte do Brooklyn, mas poucos têm ideia que logo ali, um pouco acima da cidade, fica a mais antiga vinícola americana.


caves subterrâneas transformadas em museu do vinho para visitação

A operação da adega foi iniciada pelo imigrante John Jaques, em 1839 e transmitida para seus filhos John, Oren e Charles em 1858 que deram a ela o nome de Jaques Brothers Winery. Mais tarde, em 1885, foi vendida à dupla de pai e filho, James e Edward Emerson, passando a se denominar Brotherhood. Nesta nova fase ocorreram a expansão dos prédios e a construção de cave subterrânea, atualmente museu do vinho para turistas.



Durante o período da Prohibition Law (Lei Seca), a Brotherhood foi a única vinícola autorizada a continuar elaborando vinho, cuja produção de vinho canônico (sacramental wine) destinava-se exclusivamente às missas de igrejas católica e, provavelmente, a alguns privilegiados incógnitos, pois sempre se dá um jeitinho, em qualquer parte do mundo.

A Lei Seca (Prohibition Law) dos Estados Unidos estendeu-se de 17 de janeiro de 1920 até 5 de dezembro de 1933. Provavelmente esta limitação operacional levou à venda da vinícola para Louis Farrel e seu filho, em 1921. Os Farrel operaram a Brotherhood até 1947, sendo sucedidos pelo primo Francis Farrel.



A Brotherhood notabilizou-se por de seus vinhos de videiras americanas preparados com a adição de ervas ou especiarias. A partir de 1970, passa a produzir vinhos de híbridas francesas.

Em tempos recentes, 1987, o winemaker Cesar Baeza comprou a vinícola e passou a explorar seus vinhedos de viníferas, implantados em 1990 em Long Island, a leste da cidade de Nova York, cujo suave clima marítimo remete a Bordeaux, oferecendo rótulos de Zinfandel, Chardonnay, Merlot, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir.


Baeza recebe Sérgio Inglez

Certamente você não vai tomar os vinhos mais antigos dos Estados Unidos que remontam aos tempos coloniais, mas se visitar a Brotherhood estará degustando bons vinhos elaborados pela mais antiga vinícola americana e a única que nunca interrompeu sua produção!

Como chegar? Sair de Nova York pelo Hudson Valley, Route 87, até alcançar a 94, quando você dobra à direita e vai até o entroncamento da 94 com a 208... está em Washingtonville, cuja maior atração é a própria Brotherhood! Você vai andar em torno de 50 Km.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

PORTUGAL - VINHOS VERDES PARA O VERÃO

O Minho e a atual região do Vinho Verde vêm na esteira de priscas eras, já comentados pelos ícones históricos romanos, o filósofo Sêneca e o naturalista Plínio, bem como embutidos na legislação do imperador Dominiciano, no período de 96 a 51 a.C.

O nome de Vinho Verde não retrata nenhuma condição descritiva do vinho, como o estado de maturação ou a cor. O nome de Vinho Verde resulta da paisagem dominante da região de origem, muito bem descrita por Manuel Carvalho: “No vasto território do Noroeste de Portugal, um manto verde e exuberante desce das serras, cobre os vales interiores, prolonga-se pelas planícies e estende-se até ao mar...”.



O Vinho Verde apresenta-se como um vinho único no mundo dos vinhos, com aromas que agradam nossa sensibilidade e toques de boca que picam nosso paladar, deixando uma sensação muito refrescante.

Que mais poderíamos querer para os dias mormacentos do verão brasileiro?

Para provar os distintos estilos de Vinho Verde, foi realizada, no dia primeiro de dezembro, no salão do Blue Tree Towers Faria Lima, São Paulo, apresentação de Marcelo Copello e do enólogo português Antonio Cerdeira, que explicaram a natureza dos vinhos verdes, sua origem, estilos e modernidade.



No painel de degustação, foram avaliados: Estreia, Loureiro do interior (Viniverde); Loureiro, Loureiro do litoral (Cooperativa se Ponte de Lima); Quinta de Gomariz Grande Escolha, Trajadura, Alvarinho e Loureiro (Quinta do Gomariz); Follies, Alvarinho (Quinta de Aveleda); Conde de Villar, rosé de Espadeiro (Quinta das Arcas); e o Quinta de Linhares Escolha, tinto de Vinhão (Quinta de Linhares).



Depois, tivemos a oportunidade de provar vinhos verdes de quinze produtores, que ofereceram um conjunto bem maior de tipos e estilos.

O evento encerrou-se com almoço.